A diversificada e volumosa produção fotográfica de Jacob Prudêncio Herrmann (1896-1967) agora recebe novo tratamento técnico, que amplia as ações de conservação, estudo e acesso a um conjunto que muito nos diz sobre parte da história da fotografia brasileira e sua relação com outros países. Trata-se, aqui, da conexão entre Jacob e o movimento fotoclubista, que abordarei neste texto, após comentar sobre o percurso que me trouxe à equipe deste projeto tão importante.
Dentre minhas experiências profissionais, trabalhei no Memorial da Sociedade de Ginástica Porto Alegre, 1867 – SOGIPA, um clube social, cultural e esportivo, fundado em 1867, por imigrantes alemães. Na instituição, tive a oportunidade de conhecer o relevante acervo do setor, que contém documentos textuais e iconográficos, manuscritos e impressos, além de objetos, sobre a trajetória do clube e outros aspectos da presença germânica na formação da cidade e do Estado. A fim de dar continuidade às ações de preservação e difusão do acervo, introduzi a produção cultural através de projetos que foram aprovados no âmbito da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Em paralelo ao trabalho de captação de recursos, que ocorreu em conjunto com diretorias do clube, eu me dirigia às possibilidades de pesquisa sobre o acervo, considerando o interesse de consulentes que buscavam o Memorial e privilegiavam as imagens fotográficas históricas. Assim, defini como prioridade a pesquisa e a organização do acervo fotográfico, com atenção aos originais mais antigos. Um dos produtos que resultaram deste trabalho foi o livro Centenário da Oktoberfest da SOGIPA (RODEGHIERO, 2013), que é predominantemente fotográfico, sobre a tradição da festa realizada desde 1911, no Parque São João, sede da SOGIPA.
No Memorial, encontrei o segundo livro de atas do Photo-Club Helios, que existiu entre março de 1907 e dezembro de 1949. O documento possui os registros das reuniões realizadas entre 1933 e 1949, na maior parte manuscritos em alemão. A SOGIPA preserva o acervo que restou sobre o Helios no clube porque o grupo de fotoclubistas realizava reuniões em espaço cedido em sua antiga sede central da Avenida Alberto Bins. O Photo-Club Helios era uma entidade independente, mas possuía associados em comum com a SOGIPA, à época denominada Turnerbund (Aliança de Ginástica).
Além do livro de atas, o acervo reúne outros documentos escritos sobre o Helios, câmeras fotográficas e, também, fontes textuais e fotografias sobre papel, negativos e diapositivos que foram produzidos pelo Departamento Cine-Fotográfico da SOGIPA (DECIFOTOS), que sucedeu o Helios, após sua extinção, em 1949. Integrado à instituição, o DECIFOTOS realizava parte da cobertura fotográfica de eventos do clube, promovia cursos e concursos sobre fotografia e cinema e, ainda, tinha como um de seus propósitos zelar pela memória do antigo fotoclube, até 1993, quando foi desativado.
Em 2012, ingressei no mestrado e comecei a pesquisar sobre o fotoclubismo no Brasil. Constatei que o Photo-Club Helios era um dos poucos grupos existentes no país entre as décadas de 1910 e 1930, sendo contemporâneo apenas de outros dois fotoclubes consolidados no período, o Photo Club Brasileiro, do Rio de Janeiro, e a Sociedade Paulista de Photographia. Assim, encaminhei a digitalização 2A digitalização foi realizada por estudantes do curso de Museologia da UFPel, no Laboratório de Reprodução Digital de Acervos do Instituto de Ciências Humanas, a partir de um convênio de cooperação técnica firmado entre a universidade e a SOGIPA. do livro de atas do Helios e custeei a tradução de todos os seus registros em alemão, entre 2013 e início de 2014.
Ao consultar as publicações sobre fotografia brasileira, percebia divergências e escassez de informações sempre que houvesse qualquer menção ao Photo-Club Helios. Isso ocorria porque os autores dos livros publicados desde a década de 1980, ou de trabalhos acadêmicos realizados posteriormente não tiveram acesso às fontes primárias de pesquisa. Eis que eu havia encontrado pelo menos parte das fontes que possibilitaram o conhecimento sobre a presença e atuação do Helios 3O pesquisador Ricardo Mendes, em seu livro “Antologia Brasil, 1890-1930: pensamento crítico em fotografia”, comenta a respeito do vazio historiográfico que havia sobre a fotografia no país, entre o final do século XIX e as primeiras décadas do XX, e cita a pesquisa que eu começava a desenvolver sobre o Photo-Club Helios, grupo que ele destaca como um “exemplo perfeito de desencontro de dados intensamente disseminados na bibliografia brasileira” (MENDES, 2013, p. 9)., a partir da análise de cada ata registrada no livro. Através das atas, soube que a biblioteca do Photo-Club Helios, na antiga sede da SOGIPA, foi saqueada durante o período de repressão aos alemães, na Segunda Guerra Mundial. Esse fato pode ter suprimido fotografias da constante produção dos sócios, caso fossem guardadas no local, além de livros técnicos e revistas ilustradas nacionais e estrangeiras que eram recebidas por assinatura regular mantida pelo grupo e onde também poderiam publicar suas fotos.
No período em que pesquisei no acervo do Memorial da SOGIPA, não havia fotografias que estivessem identificadas como sendo de autoria dos fotoclubistas do Helios. E também é desconhecida a existência ou localização de seu primeiro livro de atas, que teria os registros das atividades realizadas entre 1907, ano de sua fundação, e 1932. Com relação à produção fotográfica do Helios, a hipótese mais provável é a de que a maior parte das fotografias e negativos tenha permanecido sob a guarda de descendentes dos fotoclubistas, por se tratar de um grupo autônomo e, ainda, por trazer, entre outros temas, registros de família, sendo assim, parte da memória afetiva dos fotógrafos amadores, o que torna tais acervos mais restritos ao ambiente doméstico.
Durante a pesquisa para a dissertação (RODEGHIERO, 2014), em busca dessas fotografias, conheci parte do acervo deixado por Jacob Prudêncio Herrmann, cuja presença foi constante nas reuniões do Photo-Club Helios, no período estudado. Acredito que sua profissão de guarda-livros e a habilidade técnica no exercício de suas atividades laborais contribuíam para seu perfil metódico e organizado como fotógrafo amador. Nos envelopes em que armazenou os negativos de vidro e em película de sua produção, ele registrou os dados técnicos das fotografias, como o tempo de exposição, a abertura do diafragma da câmera, o horário em que fotografou, local e data. E essas características se uniam a sua grande sensibilidade para pensar e estudar as formas e os recursos técnicos necessários para capturar o instante que percebeu nas cenas que eternizou em fotografias.
Seu talento artístico, aliado ao conhecimento que era compartilhado e obtido nas reuniões do Helios, além de garantir a criação de imagens memoráveis, foi uma força persistente que contribuiu para a sobrevida do fotoclube até o limite imposto pelas circunstâncias que levaram a sua extinção, no pós-guerra. O Photo-Club Helios surgiu em Porto Alegre por haver um contexto econômico, social e cultural favorável na cidade, que se construiu sobre matrizes étnicas diversas e possuía um constante intercâmbio com a Europa, através de empresas fundadas por imigrantes ou descendentes de alemães, assim como, de portugueses, italianos e ingleses, ou de empresas alemãs que abriam filiais na capital. E esses empresários vindos da Alemanha se associavam à SOGIPA, que foi o principal clube alemão de Porto Alegre até a década de 1940.
O comércio da Rua dos Andradas 4O “Salon 1931 – Exposição de Arte Fotográfica”, do Photo-Club Helios, ocorreu de 15 a 22 de novembro de 1931, no Edifício Bastian Pinto, localizado na Rua dos Andradas, 1574, esquina com a Rua Vigário José Inácio. A mostra teve a publicação de um pequeno catálogo que contém a descrição dos títulos e dados técnicos das fotografias que doze fotoclubistas expuseram, incluindo Jacob Herrmann. O catálogo possui páginas reservadas aos anúncios publicitários dos patrocinadores, dentre eles, a Casa Herrmann, que comercializava produtos dentários, cirúrgicos e fotográficos. Seu proprietário, Carlos Herrmann, não possuía parentesco com Jacob, de acordo com os netos do fotógrafo que foram consultados. e de outras vias centrais, na década de 1930, oferecia itens importados e também abria espaço em vitrines para expor fotografias 5Em 1938, o Helios promoveu o “Primeiro Concurso fotográfico para os amadores do Rio Grande do Sul”, que teve 269 fotografias inscritas. A exposição posterior, realizada na Casa Herrmann (no Edifício Herrmann, que ainda existe na Rua dos Andradas, 1320, esquina com a Rua Uruguai), causou grande interesse do público que observava a vitrine da loja para apreciar as fotografias., auxiliando na construção de um repertório visual urbano e na difusão da fotografia como meio de registro da sociedade e, possivelmente, estimulando um senso estético a quem podia acessar as imagens ou os periódicos ilustrados da época e, também, adquiria domínio técnico para oferecer serviços profissionais num mercado em expansão. E o objetivo do Helios era a produção da fotografia artística amadora, não possuindo, portanto, o caráter comercial dos estúdios que já existiam em Porto Alegre desde a segunda metade do século XIX.
É possível que parte das fotografias que selecionei e foram publicadas no livro Centenário da Oktoberfest da SOGIPA seja de Jacob Herrmann. Ele frequentava o Parque São João e, em seu acervo, há fotografias da festa e de outros eventos ocorridos no clube. Ocorre que, em muitos dos originais ampliados em papel, do acervo do Memorial da SOGIPA, não há a identificação de autoria das imagens. Então, tanto ele quanto outros fotoclubistas podem ter fotografado a festa e diversos locais do Parque, cujas imagens estão reproduzidas no livro citado.
Pelas fontes analisadas, os anos 30 representaram o auge do Photo-Club Helios, especialmente em 1935, quando participou da Exposição do Centenário Farroupilha, na “Secção de Photographias”, localizada no prédio do Jardim de Infância da Escola Normal General Flores da Cunha6Hoje denominado Instituto Estadual de Educação General Flores da Cunha., que sediou o Pavilhão Cultural da mostra. Segundo o Catálogo Geral da Exposição (1935, p. 101), Jacob Herrmann 7Jacob compôs a comissão especial criada pela diretoria do Photo-Club Helios para organizar a participação do grupo no evento.expôs vinte e cinco “quadros com photos artísticas”, junto a outros dez fotógrafos do fotoclube, que teve destaque no evento, apesar de haver críticas internas no grupo quanto à sala reservada à exposição fotográfica, que foi situada atrás do edifício principal do Pavilhão Cultural, da Avenida Oswaldo Aranha e, que, por isso, recebeu menor número de visitantes. No total, foram expostas 217 fotografias dos sócios no evento. O Helios ainda não havia participado de mostras com esta quantidade e qualidade de fotografias e os sócios avaliaram positivamente aquele ano, que trouxe muito trabalho, mas possibilitou que o fotoclube desse um passo adiante.
Apesar do público abaixo do esperado, na sala da mostra fotográfica, a partir da grande exposição, que atraiu cerca de 1 milhão de pessoas a Porto Alegre8A população da capital, na época, era de 300 mil habitantes., para conhecer a produção dos segmentos agrícola, industrial e cultural do Rio Grande do Sul e de outros estados do país, houve o convite para a participação em outra mostra, o Salão Farroupilha, realizado em abril de 1936, no Rio de Janeiro, promovido em parceria com o Photo Club Brasileiro, oferecendo, assim, na então capital federal, maior visibilidade ao trabalho dos fotógrafos do Helios. Sempre que possível, havia a participação de fotógrafos de outros fotoclubes convidados para falar sobre suas produções durante as reuniões do Helios. No livro de atas, em mais de uma ocasião, há registros sobre a presença de fotoclubistas do grupo carioca, demonstrando, desta forma, as afinidades que possuíam com o grupo porto-alegrense.
Nos encontros do Helios, os assuntos se concentravam no estudo da técnica fotográfica, que abrangia o conhecimento da luz, câmeras, objetivas e materiais. Além disso, havia a organização de exposições e concursos que promoviam internamente ou com apoio das casas que comercializavam insumos e equipamentos fotográficos e com outros fotoclubes. Ocorriam, também, excursões pela Zona Sul de Porto Alegre, onde alguns dos fotoclubistas possuíam casas nos bairros às margens do Lago Guaíba, para desfrutar e fotografar a bela paisagem da região.
O acervo construído por Jacob evidencia a sociabilidade habitual do núcleo fotoclubista do Helios, formado por profissionais liberais de origem europeia, como expande o olhar para recantos rurais de natureza preservada em seu tempo e, também, nos traz registros urbanos de uma cidade que crescia, e com ela se ampliavam as desigualdades sociais, que foram documentadas em suas fotografias. Seu legado visual e de documentos escritos, como os vinte e dois diplomas por participação nos concursos temáticos do Helios, ou o conteúdo do verso das fotografias, por exemplo, possibilita verificar algumas das exposições, em Porto Alegre ou no Rio de Janeiro, em que as ampliações foram exibidas.
Isso reafirma a integração do Helios ao movimento fotoclubista, que criou uma potente rede internacional, conectando os principais centros urbanos, e mesmo as cidades de médio porte, onde surgiam grupos com a premissa de trocar informações sobre o desenvolvimento tecnológico e de abrir espaços expositivos para a fotografia gerada em cada fotoclube. No caso do Helios, compreender a língua alemã era uma exigência para participar do grupo, havendo o desagrado de alguns sócios com relação a novos fotoclubistas que se associavam e não dominavam o idioma das reuniões. Esse fato demonstra o quanto era presente o sentido de coesão do grupo, de preservação da cultura de origem da maior parte dos associados, reunidos em torno de um objetivo comum, de culto à fotografia artística. Em meados da década de 1930, a norma começa a ser flexibilizada, para a adesão de novos sócios, de outras etnias, de modo a evitar a dissolução do Helios, que contava com poucos associados, em geral, sendo que, desses, um menor número era assíduo nas reuniões e atividades.
As fotografias de Jacob fizeram parte dos portfólios9Possivelmente, os portfólios do Photo-Club Helios também foram danificados ou perdidos quando houve o saque à biblioteca da sala que ocupavam na sede central do Turnerbund (SOGIPA), caso fossem guardados no local. itinerantes que foram enviados à Alemanha e apreciados pela Sociedade Fotográfica de Hannover, entre 1934 e 1937, e da qual o Helios também recebeu os portfólios para conhecer a fotografia que produziam. Por ser um associado muito ativo, além de membro da diretoria e tesoureiro, Jacob efetuava os relatórios contábeis do Photo-Club Helios, sendo presente em todas as atividades das quais o grupo participasse ou promovesse.
E houve boa receptividade pelos alemães com relação às fotografias dos portfólios do Helios, atendendo ao pedido da diretoria, que solicitou o empenho dos fotoclubistas para que o material reunisse um conjunto variado de imagens a fim de impressionar e obter o reconhecimento no exterior. Em uma ata da reunião de 10/07/1936, é mencionada uma correspondência da Associação Nacional para Alemães no Exterior10O Deutsches Auslandsinstitut (DAI), fundado em Stuttgart., entidade na qual se encontrava o portfólio itinerante do Helios, e também localizada no Estado da Baixa Saxônia. É observado que os alemães se surpreenderam com a técnica e a qualidade das fotografias do portfólio.
Durante a pesquisa para a dissertação, dentro das fontes que pude analisar e que estavam disponíveis na época, percebi que a produção fotográfica predominante entre os sócios se alinhava à estética do pictorialismo, que tinha como expoente no Brasil, o Photo Club Brasileiro. O fotoclubismo, desde seu surgimento, agregou os fotógrafos amadores em torno da relação entre fotografia e arte, que ganhou maior expansão quando se popularizaram as câmeras portáteis. De Viena, Paris e Londres o pictorialismo se difunde para o mundo, desde o final do século XIX, com o foco na produção de imagens clássicas, buscando trazer para a fotografia referências da pintura acadêmica. E os amadores europeus reconheciam a qualidade da produção do Helios, o que endossa suas possíveis semelhanças com a tendência pictorialista.
A depender das intenções de cada fotógrafo, que se reunia a outros com produções afins e formando fotoclubes, ou mesmo, coletivos de artistas, como vemos na Arte Moderna uma prática constante, havia rupturas com o padrão do pictorialismo. No Brasil, um exemplo disso é o Foto Cine Clube Bandeirante, de São Paulo, que foi fundado em 1939, e a partir da década de 1940 se destaca com uma fotografia engajada ao modernismo paulistano, cujas formas geométricas da arquitetura em plena verticalização foram exploradas na criação fotográfica dos associados.
Ainda que houvesse, por parte do Helios, o conhecimento da produção fotográfica de São Paulo, assim como das vanguardas artísticas europeias e do modernismo no Brasil, tais experimentações mais arrojadas não foram predominantes como uma tendência estética entre os porto-alegrenses. Isso talvez, por, justamente, a forte atuação do Foto Cine Clube Bandeirante ter começado a ocorrer no período em que as atividades do Photo-Club Helios estavam suspensas, entre 1942 e 1949, em razão da Segunda Guerra Mundial e dos anos seguintes a seu término.
O fato de a família preservar o acervo de Jacob é algo de grande importância, uma vez que isso nem sempre ocorre. O desejo pelo novo, o descaso para com a memória social e do círculo familiar, por parte de descendentes, são, muitas vezes, as situações mais comuns que encontramos. E como pesquisadora, compreendo o quanto é complexo manter, organizar e, ainda mais, disponibilizar os acervos, seja em meio físico ou digital. Sabemos que as instituições de memória, públicas ou privadas, no Brasil, nem sempre possuem recursos, estrutura e condições adequadas para realizar o trabalho de conservação preventiva, de guarda e de sistematização dos acervos em geral.
A fotografia analógica está circunscrita num tempo menor de duzentos anos na história da humanidade e do desenvolvimento científico e tecnológico. Com seus diferentes processos fotoquímicos para produzir, fixar e difundir as imagens criadas a partir da seleção da cena pelo olhar do fotógrafo e dos recursos da câmera disponível, foram gerados acervos que chegaram até a contemporaneidade ou foram extraviados devido ao desinteresse pela preservação de originais e ao desconhecimento da relevância que possuem como patrimônio cultural e fragmento de memória visual do mundo, no circuito de produção artística e da cultura da visualidade ou do teor documental que podem conter.
Jacob Prudêncio Herrmann tem seu lugar na história da fotografia brasileira e, talvez, seu acervo seja um dos poucos que foram preservados para as gerações seguintes. Foram infrutíferas minhas tentativas de obter informações que levassem ao acesso a outros acervos privados, que ainda possam existir sob a guarda dos descendentes dos fotoclubistas. Infelizmente, soube de descartes ocorridos, que levaram à perda de acervos localizados. Portanto, o trabalho realizado pela equipe deste projeto pode contribuir para que se revelem acervos ainda existentes de outros fotógrafos amadores do Helios. Mas, fundamentalmente, jogará luz sobre a farta produção de Jacob, cuja presença foi tão marcante no Photo-Club Helios.
Talvez, sem sua participação efetiva, nas reuniões e atividades, o grupo não teria chegado até onde chegou. Sabe-se dos problemas que ocasionaram o desaparecimento de parte do acervo que havia na sala cedida ao Helios, na sede central da SOGIPA. E muitos outros fatores podem ter causado a perda de fotografias, negativos e documentos que ainda poderiam estar preservados pelas famílias dos demais fotoclubistas. O certo é que o projeto concretiza um trabalho robusto sobre a produção de Jacob, que é rica em sensibilidade e técnica primorosa. E fico na expectativa do quanto mais que ele ainda poderá nos revelar!
Teremos uma visibilidade mais ampla do conjunto fotográfico que está sendo disponibilizado à sociedade. Desta forma, o acervo de Jacob contribui para mostrar que Porto Alegre está no mapa do fotoclubismo, algo oportunizado pelo contexto que o tornou favorável aqui, no raiar do século XX. O trabalho promoverá o conhecimento acerca da memória cultural e da fotografia, bem como, do fotoclube em que foi produzida e, também, poderá estimular novas pesquisas, considerando que muito ainda há a conhecer sobre o próprio acervo de Jacob e sobre a fotografia amadora do Photo-Club Helios.
Concluo agradecendo a Jorge Fernando Herrmann, um dos netos guardiões do acervo de Jacob, que me fez o gentil convite para integrar a equipe deste projeto cultural.










