pesquisa arquitetônica sobre evolução urbana

ARQ. ANALINO ZORZI

JACOB PRUDÊNCIO HERRMANN - Acervo da arquitetura e do urbanismo

Jacob Prudêncio Herrmann, artista visual da fotografia, legou a nós vasto acervo com imagens significativas de obras da arquitetura e do urbanismo de Porto Alegre, seu entorno e litoral.

Jacob demonstrou interesse em documentar as paisagens naturais que circundavam a cidade, na primeira metade do século passado, transformadas em consolidados bairros, densamente povoados. No acervo temos documentadas inúmeras edificações históricas, em seus mais diversos estilos, com predomínio de características do ecletismo, mesclas de neoclassicismo, neogótico, e o art nouveau na arquitetura. 

Dos ambientes por ele retratados nesse acervo temos obras civis e religiosas, construções industriais e chalés de descanso, edificações imponentes do centro histórico ou de bairro, casas de habitação coletiva ou palacetes; abertura de avenidas e construção do Viaduto Otavio Rocha; urbanização da Ilhota com seus canais margeados com casas geminadas; instalação de trilhos para linhas de bonde criando novos conceitos de mobilidade urbana. 

Algumas das construções não mais existem, removidas, no panorama porto-alegrense, todavia ainda subsistem como registro na preservada arte documental de Jacob. Já dentre as muitas construções remanescentes, estão edificações tombadas pelo Patrimônio Cultural que são hoje referenciais da cultura e do desenvolvimento da cidade e fonte de pesquisa quando se trata da história da arquitetura e do urbanismo de Porto Alegre.

Jacob, de câmera na mão e sensibilidade no olhar, revela conhecimentos técnicos e estéticos ímpares. Documenta com maestria a diversidade e a evolução urbana. Através de apurado discernimento e acuidade visual, boa parte de nossa história está preservada. 

Por ter vivenciado o seu tempo e o seu espaço urbano, cristalizou as grandes transformações socioculturais dos ambientes ocupados. O artista Jacob demonstra seu amor à cidade e contribui muito para a criação do espírito do lugar que torna a cidade de Porto Alegre genuína e autêntica. 

A sua atividade como fotógrafo, não a vê como passatempo, mas como uma necessidade, um fundamento, algo de sua essência que só tem sentido porque feita de entrega ao ofício.  Com esmero, de forma técnica e esteticamente primorosas. 

Ao ter a oportunidade de interagir com a obra de Jacob temos a convicção que este artista visual muito realizou em sua obra, contribuindo substancialmente para a consciência da preservação e da educação patrimonial histórica.

Todos os que prezam pela história, pela cidade e pelo futuro, para si e para todos os outros, tem a agradecer e a valorizar o legado cultural de Jacob Prudêncio Hermann.

FOTOGRAFIAS COMENTADAS

Rua Otávio Rocha

(JPH0065)

Esta foto, de autoria de Jacob Prudêncio Herrmann, retrata uma cena urbana de grande importância para Porto Alegre do início do século XX. Dominam a composição do retrato, as edificações e a presença dos obreiros na implantação, do que tudo indica, ser da 2ª linha dos Bondes da CARRIS, na Av. Otavio Rocha (via de anteriores denominações: Beco do Rosário e Rua 24 de Maio).

            Convém contemporizar os fatos históricos com as transformações sociais, políticas e econômicas através do tempo, para entendermos melhor a evolução cultural de um povo.  A arte e a arquitetura são reflexos da interação destas mudanças evolutivas. A consolidação urbana de Porto Alegre se manifesta nas   grandes e significativas mudanças da paisagem, na expansão territorial e nas expressivas edificações que caracterizam o ecletismo da virada do século XIX e primeiras décadas de século XX. Nominamos algumas destas importantes construções urbanas em Porto Alegre:  A Catedral Madre de Deus; a construção de diversos edifícios da Cervejaria Brahma (hoje Shopping Total);  Banco da Província (hoje Centro Cultural Santander); Palácio Piratini; a Alfândega; o MARGS, (antes Delegacia Fiscal) e tantas outras classificadas como de arquitetura eclética da cidade de Porto Alegre.

            As duas edificações representadas na imagem em questão sintetizam as características da arquitetura do centro da cidade do século XX.

A primeira, à esquerda na foto, é uma construção geminada, com a instalação de duas casas comerciais, é desprovida em quase sua totalidade por tratamentos decorativos ou adornos escultóricos. Parece não ser a construção original, de período imperial, pois não detém características diversas à análise de sua fachada. A herança da cultura colonial predominante no século XIX nas cidades mais populosas do Brasil império fundiu-se, e mesclou-se com outros movimentos posteriores. A modulação nas aberturas, a fachada coroada com discreta platibanda decorada por pintura geométrica. É, ainda, acrescida de letreiros do tipo art nouveau. O sincretismo de estilos e o ecletismo pela escolha de elementos estão nitidamente presentes.

         Na edificação de maior porte, à direita na foto, temos bem representado igualmente o ecletismo clássico  da arquitetura produzida em Porto Alegre naquele mencionado período, com a inserção de balcões, simetria  nas aberturas emolduradas com saliências na alvenaria, uso do frontão triangular estilizado e adensado sobre as aberturas principais, a valorização do pórtico de acesso, o uso da balaustrada na platibanda, encimada e adornada com  “pinhas”. Todo o emprego dos elementos parece servir coordenadamente para valorizar o paramento da fachada. A tentativa de dar imponência e destacar a estética da construção aqui demonstrada era comum, não rara prática, principalmente em casas comerciais, residências dos mais abastados e mansões localizadas nos próprios centros urbanos e comerciais de grandes cidades. Porto Alegre não fugia ao que podemos chamar de ‘regra’ aos que almejavam demonstrar certa prosperidade.

E para somar conhecimentos sobre a arquitetura do período sugerimos as seguintes consultas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquitetura_de_Porto_Alegre

https://www.google.com/search?q=A+Avenida+Ot%C3%A1vio+Rocha%2C&rlz=1C1VDKB_pt-PTBR1080BR1080&sourceid=chrome&ie=UTF-8

https://pt.wikipedia.org/wiki/Avenida_Ot%C3%A1vio_Rocha

 Ecletismo  na arquitetura de Porto Alegre: BARBARA SCHÄFFER - Porto Alegre, Arquitetura e Estilo- 1880 a 1930

https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/49939/000828565.pdf

 

Mansão” da Família Di Primio

(JPH0150)

Nesta foto, Jacob Prudêncio Herrmann, retrata parcialmente a fachada principal de uma residência cujo proprietário demonstra ser abastado. O acesso à residência é através de uma escadaria que chega a um pódio, reminiscência da estereóbata dos templos gregos.

Esta base mais elevada do pórtico, circundada por colunas neoclássicas, que apoiadas sobre uma balaustrada, enriquece a composição e entrega imponência à fachada.

A colunata é encimada por arquitrave, nitidamente clássica, sendo esta decorada com pinhas, conferindo uma certa “nobreza” à edificação. A cobertura do pórtico é plana, provavelmente em tijolo armado. Por vezes este terraço servia de mirante.

O fotógrafo soube dar ênfase às características desta arquitetura de fachada da época, valorizando os elementos, por suas felizes escolhas do ângulo e da iluminação para o momento de capturar a imagem, a registrando fotograficamente.  Um belo retrato da arquitetura de Porto Alegre da virada do século XIX para o século XX, sendo o neoclassicismo a primeira manifestação do ecletismo em Porto Alegre.

A arte na fotografia está no olhar sensível do fotógrafo. A técnica fotográfica é ofício.

E para somar conhecimentos sobre a arquitetura do período sugerimos as seguintes consultas:

https://urbsnova.wordpress.com/pec-casa-apartamentos/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquitetura_de_Porto_Alegre

https://wikihaus.com.br/245-anos-de-porto-alegre-conheca-as-construcoes-mais-antigas-da-cidade/

Sociedade Germânia (Villa Palmeiro) - Demolida

(JPH0153)

Jacob Prudêncio Herrmann, registra a icônica sede da Sociedade Germânia ( Gesellschaft Germania ),  fundada em 1855, sendo assim  a mais antiga sociedade recreativa e sociocultural de Porto Alegre. Em 1925 a Sociedade Germânia foi instalada no palacete de estilo neoclássico situado na Praça Júlio de Castilhos.

Graças ao interesse em registrar a edificação e a sensibilidade de Jacob, para à perpetuidade está gravado em fotografia um dos primeiros prédios tombados pelo Patrimônio Cultural, mas infelizmente já demolido para ser erguido, no local um imóvel comercial. A Sociedade Germânia todavia. hoje encontra-se “reduzida” a um andar do referido imóvel, para realização das suas atividades sócio-culturais.

A arquitetura eclética de Porto Alegre tem nas características neoclássicas – a simetria na composição da vista principal, o uso de colunas clássicas, as saliências, os listeis, a inserção de elementos decorativos e ilustrativos no coroamento com uma balaustrada. É o período da arquitetura com intensa valorização da fachada.

Jacob valoriza o estilo arquitetônico pelo destaque na composição da fachada com o seu entorno, na escolha da iluminação, e no enquadramento dos elementos naturais com o edificado.

Uma imagem nostálgica. Ao mesmo tempo em que há a excelência de um registro preservado para a história, lastima-se, a ausência do prédio registrado e a perda de parte da identidade cultural de Porto Alegre. Momento para a reflexão sobre o que queremos preservar e o que fazemos para que isto se torne uma realidade, de modo perene e necessário.

E para somar conhecimentos sobre a arquitetura do período sugerimos as seguintes consultas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Germ%C3%A2nia_(Porto_Alegre)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquitetura_de_Porto_Alegre

https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/49939/000828565.pdf

Arroio Dilúvio- com barcos de lenha.
Fundos da Rua João Alfredo

(JPH0100)

Jacob Prudêncio Herrmann foi um artista visual. Utilizando a câmera fotográfica, registrou o mundo que ele percebia. Jacob foi além.  Demonstrou em muitas de suas imagens   o interesse pelas condições sociais e culturais das cenas e dos personagens, seus hábitos e labores fotografados.

Aqui, Jacob nos legou uma imagem muito significativa: As habitações de um trecho da derivação do Arroio Jacareí, hoje Arroio Dilúvio, no Arraial ou Areal da Baronesa, bairro próximo ao centro da cidade, reduto de pretos forros e de libertos que a partir da segunda metade do século XIX  lá se estabeleceram. Este bairro, também denominado de Ilhota porque formado por uma derivação do Arroio Dilúvio,   este braço seguiu existindo até a metade do século XX, quando da retificação do Dilúvio, a transferência dos moradores para o Bairro Restinga e urbanização da Cidade Baixa com sua atual configuração. Aqui o interesse de Jacob é mais do que uma simples fotografia.  Da imagem também se pode explorar a temática do ambiente fotografado, a plasticidade formal e o comportamento social de uma comunidade. O  (oikos) e o (ethos), estão nitidamente criados. o ambiente e o comportamento de uma comunidade presentes.

A Ilhota tem histórico significativo para a cidade desde sua origem nas terras do Barão e Baronesa de Gravataí, pela ocupação por pretos forros, pelo nascimento de dois ilustres porto-alegrenses, o Sr. Osmar Fortes Barcellos – O Tesourinha e o Sr. Lupicínio Rodrigues- O Lupi, e na proximidade, pela estabelecimento da comunidade do Quilombo Fidelix , um dos poucos quilombos urbanos do Brasil.

Jacob Prudêncio Herrmann tem um olhar de artista da imagem, se interessa pala temática urbanística e faz uma crítica social. Registra uma atividades corriqueira daquele momento  histórico, em Porto Alegre: O da entrega  da lenha para uso diário, nas precárias  moradias  em bairro alagadiço.

Jacob percebeu o sentido das palavras “oikós” e “ethhos” nesta comunidade urbana. No primeiro sentido a coletividade, na qual cria laços característicos com suas habitações simples, geminadas e até compartilhadas.  E no segundo, os aspectos de eqüidade , solidariedade, tolerância e respeito às  diferenças .

O espírito deste lugar está eternizado na poesia musicada por Lupicício Rodrigues.

Ilhota

Ilhota, minha favela moderna,
Onde a vida na taberna
É das melhores que há.
Ilhota, arrabalde de enchente
E que nem assim a gente
Pensa em se mudar de lá.
Ilhota, do casebre de madeira,
Da mulata feiticeira,
Do caboclo cantador.
Ilhota, a tua simplicidade
É que dá felicidade
Para o teu pobre morador.
Na tua rua,
Joga-se em plena esquina.
Filho teu não se amorfina
Em sair pro batedor.
Nem mesmo a “justa”
Vai visitar seus banhados,
Pra não serem obrigados
A intervir em questões do amor.

Conferir as fotos do acervo da Ilhota JPH0123, JPH0126, JPH0102 ,  JPH0104 e JPH0105.

https://especiais.sul21.com.br/gentrificacao/extirparam-o-cancer-o-olhar-de-quem-nao-tem-o-direito-de-pertencer-a-cidade/

https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/desapagapoa/os-impactos-do-plano-de-melhoramentos-de-1914-e-os-projetos-de-memoria-da-atualidade-nas-periferias/

https://prefeitura.poa.br/smamus/planejamento-urbano/historia-do-planejamento-urbano-em-porto-alegre

https://pt.wikipedia.org/wiki/Athos_Damasceno_Ferreira

https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29575/000777925.pdf

https://www.icomos.org/images/DOCUMENTS/Charters/GA16_Quebec_Declaration_Final_PT.pdf

Igreja Evangélica da Senhor do Passos - Vista externa e Vista interna
Demolida na década de 1960.

(JPH0537 e 0538)

Jacob Prudêncio Herrmann, em sua iconografia  de temática variada, registra o ambiente em que vive e participa. A Igreja Evangélica da Senhor dos Passos  de Porto Alegre sempre foi um referencial para os luteranos, sobretudo os de origem alemã .  A antiga Igreja foi construída em 1865 e na virada do século Johann Grünewald, o mesmo arquiteto que projetou a Cúria Metropolitana, inseriu a torre, única, neogótica, frontal e adensada à fachada, conforme a então, recente e inédita autorização dada pós período imperial.

Na foto em primeiro plano, a Praça Otávio Rocha, que sofreu drásticas modificações com o passar do tempo. O fotógrafo acomodou-se para a captura da imagem, em ponto na esquina da Rua Dr. Flores com a Rua Otávio Rocha, e em uso do contra-plongèe, registro de baixo para cima no enquadramento da imagem tirada. Assim, destacou a imponência da Igreja com a sua majestosa torre.

No acervo visual urbano de Jacob temos uma rica variedade na temática, e ainda, nas múltiplas e até mesmo, surpreendentes, escolhas de ângulos para fixar e eternizar a imagem. Tais preferências do fotógrafo tocam à sensibilidade de todo e qualquer apreciador da arte.

E para somar conhecimentos sobre a arquitetura do período sugerimos as seguintes consultas:

https://docomomobrasil.com/wp-content/uploads/2016/08/OBR_36.pdf

https://legado.luteranos.com.br/memorias/historia-da-paroquia-matriz-porto-alegre-rs

WEIMER,Günther - Arquitetura Erudita da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul, 2004.

WEIMER,Günther - Arquitetos e Construtores no Rio Grande do Sul - 1892/1945, 2004.

Igreja São Pedro - Agosto de1930

(JPH0252)

Com projeto do arq. José Hruby e mestre de obras Franz Rhoden, as obras deste templo religioso como a edificação na forma que hoje conhecemos, foram iniciadas no final da segunda década do século XX e terminadas em 1935. O seu estilo é tipicamente neogótico tanto na sua configuração externa quanto na composição dos elementos decorativos internos. Pórtico, rosácea e torres no frontispício, arcos ogivais, vitrais, agulhas e mobiliário interno, atestam a estilização eclética do neogótico.

Jacob Prudêncio Herrmann nos surpreende nesta foto pelo ângulo escolhido para registrar o momento. Comumente os cliques fotográficos para documentar edificações deste tipo de arquitetura se restringem à fachada principal com seus ornatos e torres imponentes. Jacob prefere uma visão diagonal, lateral e fundos que forma ângulo de 90º com a incidência da luz vespertina, criando assim uma atmosfera insólita, mas também natural e verdadeira. A verticalidade das torres sineiras da fachada, situadas no último plano formal, contrastam com o céu nublado. No acervo fotográfico de Jacob observamos que em todas as imagens na qual aparece a Igreja São Pedro, as torres sineiras estão sempre destacadas na composição.

Nesta imagem comentada revela-se o interesse do autor pela conjugação das diversas composições e formas, pelo contraste de luz e sombra, pelo equilíbrio entre o maciço da edificação e a provisoriedade das construções próximas que ainda fazem contraponto com os elementos menores do primeiro plano.

E para somar conhecimentos sobre a arquitetura do período sugerimos as seguintes consultas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_S%C3%A3o_Pedro_(Porto_Alegre)

WEIMER,Günther - Arquitetura Erudita da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul, 2004.

WEIMER,Günther - Arquitetos e Construtores no Rio Grande do Sul - 1892/1945, 2004.

Chalé da Praça XV

(JPH0555)

O Chalé da Praça XV sempre foi uma referência para a sociedade porto-alegrense, por ser o ponto de encontro, inicialmente da mais alta burguesia para, aos poucos, passar a ser frequentado por artistas e intelectuais e ainda, posteriormente se tornar um espaço democrático de convivência do povo e dos turistas  que visitam a cidade.

O Chalé, a Praça XV, o Largo Glênio Peres, o Mercado Público, integrados ao Paço Municipal, compõem uma área referencial de espaços arquitetônicos e urbanísticos simbólicos do Centro Histórico de Porto Alegre.

O Chalé da Praça XV é significativo por sua singularidade construtiva. Erigido inicialmente para ser um quiosque para venda de sorvetes e bebidas, atravessou por diversas intervenções até a sua configuração atual e se prestar para serviços de bar e restaurante. Com a estrutura, as grades e os gradis em ferro, os lambrequins dos beirados, o uso do vidro, o movimento dos telhados, os ladrilhos hidráulicos e os elementos decorativos, estão assim compostas nesta edificação, as suas características art nouveau, refletindo nesta obra a arquitetura da revolução industrial.

O fotógrafo Jacob Prudêncio Herrmann se posiciona ao centro da imagem para assim dar destaque a paisagem urbana. O bonde, em primeiro plano, o Chalé centralizado à imagem, o edifício alto posicionado na amplidão do firmamento. A escolha por dar vastidão à praça, livre de outros elementos que possam causar distúrbio visual reforça a importância dada à imagem central. A área verde fornece o pano de fundo para destacar a presença do Chalé. O centro de interesses do porto-alegrense sensibilizou o fotógrafo em seu ponto de decisão. O artista visual deixa gravado parte da vida urbana que a mais de cem anos vem se renovando e consolidando como uma cidade que constrói sua história.

E para somar conhecimentos sobre a arquitetura do período sugerimos as seguintes consultas:

Sérgio da Costa Franco-“Porto Alegre Ano a Ano”- Letra e Vida. 2012

Hélio Ricardo Alves- “Porto Alegre foi Assim” –Sagra Luzardo- 2001

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chal%C3%A9_da_Pra%C3%A7a_XV

https://www.matinaljornalismo.com.br/parentese/memoria/1881-85-o-chale-da-praca-xv/

Fábrica Thofehrn - 1937

(JPH0069 e 0551)

A passagem do final do século XIX para primeira metade do século XX foi expressiva. A evolução industrial e comercial de Porto Alegre, muito foi impulsionada pelo empreendedorismo dos descendentes de alemães. Famílias como Fischel, Gerdau, Ritter, Jung, Bopp, Renner, Neugebauer, Mentz, Jacobi, Trein, Sessen, Becker, Thofehrn e tantos outros que imprimiram sua presença com atividades econômicas,   nesta cidade e no Estado do Rio Grande do Sul.

Jacob Prudêncio Herrmann não é alheio às transformações e progressos da cidade. Registra com sua câmara todo este processo. Assim, nos legou as fotografias das aberturas de grandes avenidas, das construções significativas de caráter religioso, de edifícios dos serviços públicas, de empreendimentos industriais, de habitações coletivas e particulares, e paisagens então à época bucólicas dos arredores do Porto Alegre, hoje  áreas  densamente urbanizadas.

Nas imagens, o artista visual Jacob nos presenteia com o registro de edificações industriais, inicialmente da família Fischel para a produção de perfumes e por último da Thofhern, produtora de bebidas,  no 4º Distrito,  na Rua Hoffmann. Destacamos aqui que o Bairro Floresta foi durante muito tempo caracterizado como o bairro industrial de Porto Alegre. Os veículos, década de 1930, que abastecem os clientes, compõem a cena estabelecendo um caráter de procura e espera por bons produtos e serviços a consumir, trazendo ao cenário um sentimento de prestígio e solidez comercial.

E para somar conhecimentos sobre a arquitetura do período sugerimos as seguintes consultas:

https://cdn.fee.tche.br/eeg/1/mesa_12_pereira_arendt.pdf

https://www.cwaclipping.net/sistema/cliente/materia?security=1626484ff39e.6138541.10343340&rn=1

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Porto_Alegre

https://urbsnova.wordpress.com/hoffmann/

Chácara dos Thofehrn, em obras

(JPH0096)

Com a colonização alemã já estabelecida no interior e na Capital, o consequente desenvolvimento do trabalho e crescimento econômico, frutos do espírito empreendedor dos imigrantes, oriundos e de ascendência germânica, dão início a um período de grandes construções em Porto Alegre. A necessidade da presença atuante de técnicos da arquitetura, da engenharia, técnicos artesãos, mestres de obra e outros, fazia-se premente.

O uso, com maestria, da madeira na construção, esteve continuamente presente nas edificações dos imigrantes e descendentes de alemães no Rio Grande do Sul. Um dos legados mais característicos é a estrutura em enxaimel, sobretudo nas casas rurais espalhadas pela região colonial.

A casa de campo é construída com materiais naturais locais e o uso formal do avarandado, sendo este o elo de integração entre a habitação privativa e a natureza circundante.  Símbolo   da funcionalidade e da praticidade, o bangalô também demonstrava a necessidade das famílias mais abastadas em viverem os momentos de descanso, bem como de descontração, e simplicidade.

A atuação dos técnicos profissionais e de empresas especializadas nas diversas modalidades construtivas possibilitaram a Jacob Prudêncio Herrmann ter a oportunidade de registrar toda a transformação e variedade das edificações, tanto as obras urbanas  como as rurais.

Jacob Prudêncio Herrmann nos legou imagens de chalés, bangalôs, casas rurais em que é exposta a valorização destas construções típicas da época e muito vinculadas à cultura alemã.

O fotógrafo, nesta sua obra, nos remete ao espírito do despojamento, da informalidade, e da necessidade da convivência harmoniosa e saudável junto ao ambiente natural.

E para somar conhecimentos sobre a arquitetura do período sugerimos as seguintes consultas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Coloniza%C3%A7%C3%A3o_alem%C3%A3_no_Rio_Grande_do_Sul.

WEIMER,Günther - Arquitetos e Construtores no Rio Grande do Sul - 1892/1945, 2004

Chácara dos Thofehrn,  habitada